Travessias é uma Mostra de Vídeos que reúne cinco artistas que operam um espaço geográfico e imaginário entre Brasil e Portugal, seja por uma breve passagem ou por estadias mais longas. Com curadoria de Ana Grebler e Duda Affonso, trabalhos realizados entre 2019 e 2025 recontam histórias vividas do outro lado. O lado de lá - esse de quando atravessamos o imenso Atlântico e que é também o lado de cá - revela-nos o desconhecido, visto por brilhos entre frestas que tornam possível a existência nessa terra estrangeira, irrompendo uma nova luz. Em Travessias, participam as artistas Era Rolim, REZMORAH, Romulo Barros, ska batista e Tita Maravilha.​​​​​​​
Durante o Vem na Sexta nos dias 21, 28 de agosto, 04 e 11 de setembro.
Das 14 às 18h
Cada dia com a exibição dos trabalhos da Sessão Canteiro
21/08 - KEBRA 3000 de Era Rolim
28/08 - 2ND MOON de REZMORAH
04/09 - To indo, só vou esperar o sol isfriar de ska batista
11/09 - TRYPAS CORASSÃO de Tita Maravilha
Curadoria Duda Affonso e Ana Grebler
Entrada franca
REZMORAH
2ND MOON, 2025
37min
2ND MOON, colagem mutante de poemas letras, video e música. Escrita ou compilada durante o momento em que a terra teve uma 'segunda lua' no final de 2024, 2ND MOON é um álbum que ainda não foi lançado, e paira no tempo como álbum musical, e se manifestou como esta colagem audiovisual poética. Esta é a terceira versão deste vídeo que vai sendo picotado e regurgitado e mexido a cada performance ao vivo deste álbum nunca 'lançado'. Representa bastante a estética visual, especialmente vídeo e media/web da artista que nasceu desse constante remix dela mesma. Em 2026 foram lançados dois singles do álbum. A música é composta por REZMORAH com co-produção mixagem de  Apsū, a voz é gravada live em estúdio em um take corrido para efeitos deste trabalho, para soar como peça única e propor algo do objetivo original deste vídeo, ser o cenário visual do show ao vivo.
REZMORAH é artista multidisciplinar, performer, musicista e realizadora, cuja prática atravessa a performance, a música, o cinema e a videoarte. Através da criação de mitologias contemporâneas e universos especulativos, investiga questões de identidade, transformação, ecologia e futuros pós-humanos. O seu trabalho combina corpo, voz, música eletrónica e imagem em movimento, criando obras entre o concerto, a performance e o cinema experimental.
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ska batista, To indo, só vou esperar o sol isfriar, (2023)

ska batista
To indo, só vou esperar o sol isfriar, (2023)
17min (aprox.)
Este projeto filme-fotográfico propõe uma investigação sensível sobre memória, migração e pertencimento a partir de uma experiência autobiográfica. Entre fotografia e cinema, constrói um ensaio visual que retorna ao lugar de origem para fabular as imagens, os afetos e os símbolos que persistem no tempo. O gesto de revisitar a infância, a família torna-se uma forma de observar como a experiência migratória transforma o corpo, a linguagem e a ideia de casa. Sem buscar respostas definitivas, a obra acompanha as permanências e deslocamentos que atravessam a identidade de quem vive entre territórios, onde recordar também implica reinventar. Ao articular memória pessoal e experiência coletiva, o projeto convida o público a habitar um espaço entre presença e ausência, onde o passado não se fixa como origem, mas permanece em constante transformação.
ska batista (1987) é acumulador de imagens e iluminador, natural de Anápolis- Go, com sede em Lisboa. Sua prática desenvolve-se entre a fotografia, o vídeo e a iluminação cénica, com foco na investigação da performatividade do fazer e dos processos de criação. Atualmente pesquisa a não imagem a partir da recusa da lógica da eficácia e do instantâneo. Integra a plataforma Matéria Leve, projeto de pesquisa e formação em iluminação coordenado por Letícia Skrycky. Colaborou em criações de luz para espetáculos como, andorinha só não faz verão PACAP 9  - Marcelo Evelin,  Mandaki , Violetas -  Vânia Doutel Vaz; Cantar - Francisco Cavalcanti; Quase Nada e Um Plano -  Márcia Lança; e A Roda que Não Tem Fim.  Colaborou com agora baixou o sol - Luísa Saraiva no Radial System em Berlim, La Burla de Bibi Doria e Bruno Brandolino no CCCB em Barcelona.   Entre as exposições das quais participou destacam-se  a exposição coletiva Rota dos Ventos, na PLATO, no Porto; a série Anarquivo, apresentada no Arquivo Municipal de Lisboa; a instalação fotográfica Rebojo, na Cisterna da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, sob coordenação de Susana Sousa Dias; e a obra Desconectado, exibida na Casa da Cultura de Beja. As exposições individuais o material não aguenta apresentada no Espaço Gaivotas 6; As Luzes Vermelhas Invadem a Noite, na Galeria dos Encontros da Imagem, em Braga, e Corpa Incógnita, no âmbito do festival #PRECÁRIAS, com direção artística de Tita Maravilha, no Espaço Gaivotas 6. É autore dos fotolivros Livro Vermelho e Fred, este último publicado pela Editora Ghost. Colabora também no projeto Fotonovelo, investigação que busca resgatar criticamente um conjunto de objetos culturais e dispositivos hoje considerados obsoletos da fotonovela aos dispositivos de pré-cinema e às técnicas históricas de impressão.
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Era Rolim, KEBRA 3000, 2024

Era Rolim
 KEBRA 3000 2024
11:53min
Figurino-stylist: Marine Sigout
Câmera: Romualdo Gonzales
Edição: Era Rolim
Em KEBRA 3000, Era Rolim opera sobre a matéria frágil da memória — não como arquivo, mas como devir.  Entre ver e atravessar, instaura-se um transe. As memórias não são recuperadas; são especuladas, inventadas, compartilhadas como rastros abertos a outras narrativas. O peixe — encontrado, não pescado — torna-se catalisador de histórias possíveis, um organismo que habita o intervalo entre o que foi e o que poderia ter sido. A obra não conta uma história: ela dá espaço para que distopias ocorram, emergindo da relação entre quem olha, quem filma e aquilo que, por ser translúcido, pede passagem.
Era Rolim (ela/dela) é uma artista trans brasileira cuja obra transita entre cinema, teatro e instalações coreográficas, tendo como eixo a dança antropofágica — entendida como devoração crítica e re-significação de formas, corpos e narrativas. Atua como performer, diretora artística, dramaturga e pedagoga, sempre atravessada por uma perspectiva radicalmente coletiva. É graduada em Pedagogia (UnB, 2012) e em Dança Contemporânea (IFB, 2017), mestra em História da Arte pela UNAM (2018). Atualmente, cursa o mestrado em Dirty Art — em Amsterdã, que aprofunda seu interesse por práticas artísticas que lidam com sujeira, excesso e marginalidade como potência criativa. Vencedora do 2º Salão de Arte Contemporânea Eixo do Fora com a instalação performativa Sem Título, no Museu Nacional da República (Brasília, 2018), Era desenvolve sua metodologia artística a partir da cocriação comunitária, alicerçada em uma pedagogia transradical — que afirma que sensibilidades dissidentes não nascem no isolamento, mas emergem na relação, no conflito e na aliança entre corpos em trânsito
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Tita Maravilha

TRYPAS CORASSÃO: espetáculo em dois atos 
2020
1 hora e 40 minutos
Espetáculo em dois atos é composto por um duo de artistas brasileiras radicadas em Lisboa. Tita Maravilha e Cigarra conduzem um projeto estético e político de criação híbrida entre música eletrônica e performance. O projeto abraça o corpo que carrega memórias de violência e que agora tem o poder de mudar seu destino. Assim, elas desvendam fronteiras, desmarcam e redefinem limites de gênero e expressão por meio de linguagens sonoras de diferentes regiões do Brasil e do mundo. Do funk ao jungle, passando pela música pop e pela cultura folclórica, além de samples históricos, elas expõem conceitos do dramático, do exagerado e do pós-romântico. Dupla brasileira formada por corpos urgentes de mulheres marginalizadas e pela fúria trans, em uma proposta amalgamada e sensual, que traz uma apresentação ao vivo repleta de ruídos e apelos sedutores.
Tita Maravilha estudou Artes Cênicas na Universidade de Brasília. Define-se como “inventora de universos” e afirma trazer para os seus processos artísticos “as dores e delícias de ser um corpo dissidente”. Nascida no Brasil, participou em vários espetáculos e projetos no seu país antes de se mudar para Portugal, onde reside desde 2018.
Artista multidisciplinar, desenvolve o projeto Trypas Corassão — uma potente mistura de música eletrónica e performance — e assina diversas criações autorais, como Tita no País das Maravilhas (2021), Exercício para Performers Medíocres (2021), Exercício para um Teatro Pobre ou Carta a Grotowski (2022) e As Tr3s Irms (2022), vencedor da 5.ª edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, e, em 2026, segue com a sua nova criação intitulada Bossa Nova, com estreia no FITEI, no Teatro Municipal do Porto e no Teatro-Cine de Torres Vedras. Foi intérprete e criadora em espetáculos de Carlota Lagido, Sónia Baptista, Companhia Estrutura, Xana Novais, Odete, Keli Freitas e Raquel André. É artista associada ao Espaço do Tempo, onde regressa pelo menos uma vez por ano para desenvolvimento de projetos e práticas artísticas. Juntamente com a artista Cigarra, gere a Trypas Corassão Associação Cultural, que, além dos seus próprios projetos, acolhe e apoia outros artistas, sobretudo mulheres, pessoas migrantes e corpos dissidentes, garantindo representação financeira e apoio a candidaturas. Foi júri da PT.24 e do Queer Lisboa em 2024. É também programadora do Precárias: Festival de Performance, que em 2024 e 2025 passou por Viseu, Montemor-o-Novo, Porto e Paris, consolidando-se como um espaço de resistência e experimentação artística.
O trabalho de Tita Maravilha celebra a individualidade e a criação de espaços de diálogo e de sentimento de comunidade. Explora as fronteiras de diversas práticas artísticas, aliando dimensão estética e crítica, com um toque de humor e ativismo. Num urgente reconhecimento da potência política e transformadora da arte teatral, Tita Maravilha foi vencedora da edição de 2024 do Prémio Revelação Ageas Teatro Nacional D. Maria II.
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Ana Grebler (Belo Horizonte, Brasil) é artista e curadora, graduada em Artes Plásticas pela Universidade do Estado de Minas Gerais e pós-graduada em Curadoria de Arte pela Universidade Nova de Lisboa. Através da interseção das práticas da escrita, criação e curadoria, reflete sobre a cultura visual contemporânea criando diálogos e imaginários entre espacialidades e processos artísticos. Em seu traalho com gravura, paisagens transitórias delineiam o desvio no processo que se dá entre a minuciosidade das técnicas tradicionais de impressão e a abertura ao imprevisível. Participou de exposições coletivas no Brasil e em Portugal e organizou exposições no Porto e em Lisboa, onde vive e trabalha atualmente. Desde 2022, colabora com a Umbigo com ensaios, críticas e entrevistas.
Duda Affonso (Brasília, Brasil) cresceu fascinada pelas imagens. Na busca por construir um léxico que as permitisse falar por si próprias, acabou se tornando contadora de histórias. É investigadora acadêmica, artista conceitual e curadora luso-brasileira, e opera de forma transdisciplinar. Através do complexo imagético e imaginário, sua pesquisa articula os corpos, as estruturas, o movimento, as imagens e a mente de maneira lúdica, projetando-se em diversas plataformas como cinema, fotografia, instalação, performance e texto por meio de uma perspectiva retro-futurista especulativa. É PhD em Modernidades Comparadas: Literatura, Artes e Culturas na Universidade do Minho, em Braga - pesquisa realizada com bolsa FCT. Possui mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas pela Belas Artes do Porto e graduação em Cinema pelo IESB, com especialização em Fotografia Digital pela New York Film Academy. Curadoria Duda Affonso e Ana Grebler
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